Territórios da Cidadania
Edição 03

Território em Foco

Acompanhe as ações, projetos e resultados nos territórios rurais do Brasil.

Brasília, julho de 2026
Nota Editorial

Com alegria, transparência e um 'até logo' cheio de esperança

Chegamos à nossa 3ª edição, e que jornada bonita foi essa! Desde o primeiro número, o Território em Foco nasceu com uma missão simples e essencial: aproximar pessoas, histórias e territórios. Nas edições anteriores, mergulhamos juntos nas riquezas e nos desafios do campo, águas e florestas do Brasil. Cada relato que chegou até nós confirmou que essa comunicação faz diferença.

Esta edição traz histórias que enchem o coração: jovens que transformam escolas em laboratórios de futuro, comunidades que colocam a cultura do campo no centro das políticas públicas, agricultoras e agricultores que, com acesso à água e a novos mercados, ampliam sua autonomia e segurança alimentar. São histórias de gente que trabalha, que sonha e que constrói todos os dias.

Mas precisamos ser transparentes com vocês: em função das restrições impostas pelo calendário eleitoral de 2026, conforme a Lei nº 9.504/1997, faremos uma pausa. Não é uma despedida, é um 'até logo'. Voltaremos com a energia renovada, com novas histórias e com as boas notícias que os territórios continuarão a construir.

Cuidem-se bem. E lembrem: o território é de todos nós.

Nesta edição

Cultura do campo, águas e florestas ganha espaço nas políticas públicas federais

Jovens transformam escola em laboratório de inovação no Território Estrada de Ferro

Irrigação e feiras ampliam renda e segurança alimentar em Buritis (MG)

Monitora Territórios conecta equipes de todas as regiões do Brasil

Novo Guia orienta a governança dos Territórios da Cidadania

Destaque da Edição · Cultura e Território

1. MDA, INCRA e MinC firmam parceria histórica para fortalecer a arte e a cultura nos territórios

Oficina Nacional de Agentes Culturais do Campo, das Águas e das Florestas, na sede da Contag, em Brasília

Entre os dias 12 e 14 de junho, Brasília foi palco da Oficina Nacional de Agentes Culturais do Campo, das Águas e das Florestas, que reuniu mais de 80 representantes de todas as regiões do país, entre dançarinos, artesãos, músicos, contadores de histórias, pesquisadores e lideranças comunitárias. O encontro consolidou um importante espaço de diálogo para a construção de propostas e diretrizes que irão subsidiar o Programa Nacional de Arte e Cultura do Campo, das Águas e das Florestas, voltado às comunidades rurais, ribeirinhas, extrativistas e aos povos das florestas.

Realizada na sede da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), em Brasília (DF), a oficina reuniu movimentos sociais, organizações populares, coletivos culturais e representantes de instituições públicas federais. A iniciativa foi promovida em parceria entre o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), o Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera) e a Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf).

Além dos debates e da construção coletiva de propostas, o evento foi marcado por importantes avanços institucionais. Durante a programação, foi assinado o Acordo de Cooperação Técnica (ACT) entre o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) e o Ministério da Cultura (MinC), fortalecendo a articulação entre as políticas públicas de desenvolvimento agrário e cultura. Também foi formalizada uma parceria para a criação dos Pontões de Cultura do Campo, das Águas e das Florestas, iniciativa voltada ao fortalecimento das redes culturais nos territórios rurais e à valorização da diversidade cultural dos povos do campo, das águas e das florestas.

O centro do debate

Representantes reunidos na Oficina Nacional de Agentes Culturais

As discussões convergiram para um objetivo comum: ampliar o acesso às políticas culturais e assegurar que as identidades, saberes e expressões culturais dos territórios rurais tenham reconhecimento, investimento e continuidade.

O documento final, produzido coletivamente pelos participantes, orientará a próxima etapa: a elaboração formal do Programa, com mecanismos de participação social, fontes de financiamento e formas de reconhecimento das culturas tradicionais em todo o país.

"Estamos fortalecendo uma parceria importante, com o MDA e o INCRA assumindo a cultura como uma vertente estratégica de desenvolvimento agrário. É um momento de construção de política pública e de reconhecimento dos mestres e das mestras das culturas tradicionais e populares."
Márcia Rollemberg, Secretária de Cidadania e Diversidade Cultural, Ministério da Cultura.

Por que isso importa para os territórios

A construção do Programa Nacional de Cultura do Campo, das Águas e das Florestas representa um avanço para os territórios ao promover:

Mais do que uma nova política pública, a iniciativa fortalece o protagonismo dos povos e comunidades do campo, das águas e das florestas, garantindo que sua diversidade cultural seja reconhecida, valorizada e apoiada em todo o Brasil.

Inovação e Juventude Rural

2. O futuro começa na escola: jovens de Goiás transformam tecnologia em oportunidade

Escola Família Agrícola de Orizona (EFAORI), no Território Estrada de Ferro, em Goiás

E se a escola do campo pudesse ser também um espaço de experimentação, de ciência e de esperança? É exatamente isso que está acontecendo no Território Estrada de Ferro, em Goiás.

Na Escola Família Agrícola de Orizona (EFAORI), uma Unidade de Referência Tecnológica (URT) está sendo implantada em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e a Universidade Federal de Goiás (UFG) e Codevasf. A iniciativa transforma a escola num espaço permanente de aprendizagem, experimentação e difusão de tecnologias voltadas ao desenvolvimento territorial sustentável, integrando o conhecimento científico aos saberes do campo.

R$ 681,8 mil

1ª etapa

Investidos na Unidade de Referência Tecnológica

R$ 400 mil

2ª etapa

Aporte da Codevasf

Tecnologias que chegam para ficar

Os estudantes já convivem no dia a dia com sistemas de energia solar, além disso, estão sendo instaladas cisternas para captação de água da chuva, hortos de plantas medicinais por meio da Farmácia Viva e quintais produtivos voltados à segurança alimentar. Como complemento a essas ações, também será implementado um sistema de biodigestores para a produção de biogás, ampliando as práticas de sustentabilidade e fortalecendo o processo de ensino-aprendizagem por meio da vivência com tecnologias sociais e ambientais. Na segunda etapa do projeto, foram adquiridos microtratores motocultivadores, seus respectivos implementos e sistemas de irrigação, que reforçam as atividades produtivas da escola, enquanto novos equipamentos para a pecuária leiteira e o processamento de alimentos estão em fase de implantação, ampliando a infraestrutura produtiva e fortalecendo as atividades práticas de ensino.

Mais do que aprender novas técnicas, os estudantes participam diretamente da construção e aplicação de soluções que podem ser replicadas nas suas próprias comunidades. Ao integrar ciência e prática, a URT reforça que os jovens rurais não precisam escolher entre ficar ou partir, eles podem ficar e construir um futuro melhor no campo.

A expectativa é que a experiência inspire outras escolas, institutos federais e organizações comunitárias, fortalecendo uma rede de inovação voltada ao desenvolvimento territorial sustentável em todo o Brasil.

Atividades na Unidade de Referência Tecnológica da EFAORI Estudantes e infraestrutura produtiva da EFAORI
Segurança Hídrica e Produção Familiar

3. Terra que alimenta, vida que floresce: Buritis recebe feira e sistemas de irrigação

Nos dias 20 e 21 de junho de 2026, o município de Buritis, no Noroeste de Minas Gerais, viveu dois dias intensos de desenvolvimento rural. No Território da Cidadania das Águas Emendadas, agricultores familiares, cooperativas e movimentos sociais se encontraram no 2º Circuito de Feiras e Mostra Cultural da Reforma Agrária, um espaço vivo de troca, cultura e conexão com mercados.

A feira conectou produtores diretamente a representantes dos governos federal, estadual e municipal, com foco especial nos programas PAA (Programa de Aquisição de Alimentos) e PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar). Esses dois canais são essenciais para que a produção das famílias agricultoras chegue às mesas das escolas e das comunidades locais, garantindo uma renda contínua e previsível ao longo do ano.

Água no momento certo muda tudo

Visita ao Assentamento Mãe das Conquistas, em Buritis (MG) Sistemas de irrigação do programa Irrigar para Desenvolver no Assentamento Mãe das Conquistas
Fotos 1 e 2: Visita ao Assentamento Mãe das Conquistas

O grande destaque da agenda foi no Assentamento Mãe das Conquistas: a inauguração do programa Irrigar para Desenvolver. Sistemas de irrigação, viabilizados por um Termo de Execução Descentralizada firmado entre o Ministério do Desenvolvimento Agrário e a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), chegaram às famílias assentadas, ampliando sua capacidade produtiva ao longo de todos os meses do ano, e não apenas nas estações chuvosas.

O que muda na prática

  • Diversificação de cultivos ao longo do ano inteiro
  • Maior segurança hídrica e redução da vulnerabilidade climática
  • Renda mais estável para as famílias assentadas
  • Estímulo à fixação dos jovens no campo

Para quem vive da terra, água no momento certo significa colheita garantida, renda estável e futuro para os filhos no campo. As iniciativas de Buritis reafirmam o compromisso com políticas integradas que articulam infraestrutura, assistência técnica e acesso a mercados.

Brasil em Rede · Governança Territorial

4. Monitora Territórios conecta equipes de todo o Brasil

Entre os dias 11 e 23 de junho de 2026, o Brasil foi conectado por uma ampla rede de diálogos. O Centro de Gestão e Inovação da Agricultura Familiar (Cegafi), da Universidade de Brasília (UnB), em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), promoveu dez encontros online com as equipes estaduais dos Territórios da Cidadania. A iniciativa marcou o início da implementação do Monitora Territórios nos estados e integrou as primeiras ações de formação da nova equipe que passa a atuar no projeto, reforçando o trabalho que já vem sendo desenvolvido nos territórios. Mais do que uma etapa de alinhamento metodológico, os encontros fortaleceram a integração entre as equipes e consolidaram uma estratégia nacional de acompanhamento e qualificação das ações territoriais.

10

Encontros online

Realizados

179

Territórios da Cidadania

Envolvidos

5

Macrorregiões

Do Brasil

O que é o Monitora Territórios

O Monitora Territórios apoia a implementação da Política Nacional de Desenvolvimento Territorial Sustentável ao integrar participação social, inovação tecnológica e planejamento territorial. A iniciativa fortalece a governança dos 179 Territórios da Cidadania, com o objetivo de consolidar territórios mais fortes, organizados e participativos, ampliando o acesso às políticas públicas e impulsionando o desenvolvimento sustentável do campo, das águas e das florestas.

As ações se estruturam em três frentes: fortalecimento dos colegiados territoriais como espaços de governança e articulação; uso de ferramentas de mapeamento e geoprocessamento para qualificar o planejamento; e elaboração dos Planos de Desenvolvimento Territorial Sustentável, que orientam prioridades, monitoram resultados e fortalecem o controle social das políticas públicas.

Quem participou e o que foi discutido

Realizados pelo Google Meet, os dez encontros reuniram gestores do MDA, coordenadores estaduais, Agentes de Desenvolvimento Territorial Sustentável (ADTS), Agentes Jovens de Desenvolvimento Territorial Sustentável, Agentes de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER), professores da Universidade de Brasília (UnB) e representantes das Superintendências Federais do Desenvolvimento Agrário.

Mais do que um processo de alinhamento, os encontros reforçaram uma estratégia baseada na escuta e na construção coletiva. Ao aproximar universidade, governo e atores locais, a iniciativa qualifica o planejamento territorial, fortalece a governança e amplia a capacidade dos territórios de acessar e orientar políticas públicas cada vez mais conectadas às necessidades das populações do campo, das águas e das florestas.

Ferramenta de Gestão

5. Novo Guia orienta a governança dos Territórios da Cidadania

O Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), por meio da Secretaria de Governança Fundiária, Desenvolvimento Territorial e Socioambiental (SFDT), lançou o Guia dos Territórios da Cidadania em uma live que reuniu mais de 200 participantes de todas as regiões do país. Resultado de um processo de construção coletiva, o documento oferece orientações técnicas e metodológicas para apoiar os processos de homologação, revalidação e reconfiguração dos territórios, fortalecendo a governança territorial, a participação social e a implementação da Política Nacional de Desenvolvimento Territorial Sustentável.

Voltado a gestores públicos, lideranças comunitárias e Colegiados Territoriais (CODETERs), o Guia apresenta, de forma prática e acessível, os critérios, etapas e procedimentos para o reconhecimento formal e a atualização das delimitações territoriais. A publicação busca qualificar a organização dos territórios, ampliar a capacidade de planejamento e articulação local e contribuir para que as políticas públicas alcancem, com mais efetividade, a agricultura familiar, os povos originários e as comunidades tradicionais.

Para que serve o Guia dos Territórios

  • Orienta homologação, revalidação e reconfiguração de territórios
  • Apoia gestores, lideranças e CODETERs na tomada de decisão
  • Fortalece a participação social na política de desenvolvimento territorial
Acesse o Guia online
Até Logo

Uma pausa, e depois, mais histórias

Os territórios seguem em movimento. Novas parcerias, diálogos e iniciativas continuam sendo construídos diariamente por quem acredita na força da participação social e do desenvolvimento sustentável.

Em breve estaremos de volta para compartilhar mais experiências, conquistas e histórias que mostram a potência dos Territórios da Cidadania.

Até lá, cuide do seu território. Cuide das pessoas.

E saiba: essa história é de todos nós.